Quarto dia – Um Vet No Aconcágua

Para variar minha noite de sono foi péssima. Como chegamos no dia anterior cansados e já escurecendo, Turco havia nos feito uma proposta.

Poderíamos ainda naquele horário, armar nos barracas e dormir em duplas, ou então, poderíamos todos, dividir uma tenda, que é maior e dormir juntos nela! Optamos pela tenda, porém ao esticar nossos sacos de dormir vimos que não cabíamos! Zohair, o Libanês, e Tadeu o brasileiro, tiveram a nobre iniciativa de sair no frio e montar sua própria tenda. Acertaram em cheio! Dormiram bem e não passaram frio de madrugada!

Zohair e Tadeu que acertaram ao armar sua própria tenda

Zohair e Tadeu que acertaram ao armar sua própria tenda

Os argentinos Eduardo e Seba, também encararam o esforço! O problema aí, foi que Sebá  passou muito mal durante a noite e vomitou dentro da pequena barraca, inclusive em cima de Eduardo. O resto do grupo ganhou um pouco mais de espaço para dormir na tenda, mas a noite foi péssima, pelo menos para mim! A tenda não era vedada contra o vento, como as pequenas barracas, e por isso o frio foi intenso. Encostamos nossas mochilas contra as portas da tenda para diminuir o problema mas não resolveu muito.

Improvisei um cabide com ganchos e pendurei minhas roupas na parede da tenda. Durante a madrugada as roupas congelaram. Alguns relógios também pararam de funcionar por congelamento. Sai da tenda duas vezes durante a madrugada para fazer xixi. Lá fora estava tudo coberto de neve. Finalmente amanheceu!

Acampamento em Plaza de Mulas

Acampamento em Plaza de Mulas

Graças a Deus teríamos um dia de folga! Descansar fazia parte do processo de aclimatação para resistir a altitudes maiores. Seria um dia inteiro em Plaza de Mulas. De atividades previstas, apenas as refeições e um check up médico para avaliar quem poderia prosseguir no dia seguinte! Quem tivesse disposição, poderia fazer pequenas caminhadas, sem sair do acampamento!

O Acampamento de Plaza de Mulas era uma mini cidade em barracas e tendas. Como a temporada de escalada estava na sua última semana, com o mal tempo se aproximando definitivamente, o número de barracas era já bem menor que em dezembro e janeiro, alta estação. Talvez umas 15 barracas e algumas tendas. As tendas serviam como cozinha, refeitório e posto médico. Tínhamos duas médicas de plantão por toda a temporada. As Dras. Vera e Flor.

Além disso havia uma tenda onde se podia fazer ligação telefônica e usar internet por via satélite. A ligação custava 13 dólares o minuto. Outra das tendas oferecia um banho quente de 3 minutos por 10 dólares. Fiz uma ligação para casa e busquei minhas coisas para tomar um banho depois de quase 6 dias sem nenhum. Quando me aproximei da tenda chuveiro começou a nevar. Desisti do banho. Fiquei com medo de tomar um banho quente e sair no gelado em seguida. Alias, quase ninguém do nosso grupo optou pelo banho, apenas o argentino Eduardo, que mesmo em condições adversas se mantinha asseado.

Passamos todos por um check up! Sebá, um dos membros mais animados e brincalhões do grupo estava péssimo. Enjoado e com fortes dores de cabeça. Ficaria de molho por pelo menos dois dias para tentar se recuperar.  Estava sendo animado pelo mexicano Guilhermo, que dizia que também ficara muito mal no início da expedição, mas que depois havia melhorado.

Quando passei pelo check up, minha pressão estava boa, eu me sentia cansado mas bem, sem dores de cabeça nem enjôo, mas tive uma noticia ruim. Minha oximetria continuava caindo, e chegara a apenas 79% de concentração de oxigênio no sangue. Isso realmente era pouco, lembrando que em São Paulo ela era de 94%. Mas como eu me sentia bem, ganhei o desejado carimbo médico me autorizando a prosseguir.

Passei o dia descansando, pois sabia que o dia seguinte, tirando a escalada final ao cume, era tido como o dia mais difícil da expedição.

Cume do Aconcágua, a 7 mil metros

Cume do Aconcágua, a 7 mil metros

 

Veterinário Wilson Grassi

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